quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A matemática imprecisa dos dias (13/40)

Bom dia + Boa noite + Seu dia bom + Sua noite boa = Repenso
Bom dia + Boa noite + Seu dia ruim + Sua noite boa = Angustia
Dia bom + Noite ruim -  Seu dia = Espera
Dia bom + Noite boa + Seu dia = Ansiedade
Dia + Seu dia ruim - Sua noite = Desespero
Dia - Seu dia = Vazio
Dias - (- Noites) = Tempo
Bom dias + (- Seus bom dias) = Dias
Dias + Dias = Só

domingo, 17 de setembro de 2017

Cinza (12/40)

Um poste em meio ao bosque,
como li certa vez naquelas crônicas... (Ou foi você quem leu?)
Tudo escuro. Escuro em passantes e ficantes.
clareavam-se intenções:
Nem tudo que é claro é bom, aquilo que escurece pode ser melhor.
Ali, na area acinzentada, onde o certo não se endireita e o errado se aproveita.
Ali, na rima pobre e podre: Porra!
No ponto iluminado do bosque, escurem-se segredos.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

4d (10/40)

"Estou cansado de escrever sombras unidimensionais de personagens bidimensionais"
- Disse o escritor bidimensional criado pelo escritor tridimensional achando que conseguia projetar todas suas sombras em seus trabalhos.

E mesmo assim nunca quis (9/40)

Nunca antes posto dessa forma.
Nunca me senti dessa forma em relação a você.
E mesmo assim, eu preciso me sentir assim.
E mesmo assim, eu não consigo me sentir de outro modo.
Queria te ligar, te xingar, injuriar seu nome e tomar liberdade que já não tenho.
Queria ter liberdades que já não tenho.
Nunca mais vou conseguir me sentir de outro modo
Nunca mais vou injuriar seu nome.
E mesmo assim, quando penso na nossa amizade.
E mesmo assim quando penso em como eu poderia me sentir...
Queria não pensar, me lembrar que amanhã talvez não me sinta assim...
Queria entender que não é e não foi uma escolha para mim.

50 reais na carteira (8/40)

- Ou, amigo... Uma moça me deu 50 centavos você não pode interar para eu comprar...
- Desculpa, eu realmente não tenho nada.
- Eu acredito em você.
- Obrigado...
- Eu que agradeço.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Entrefechado (7/40)

Há uma lâmpada de bulbo redondo pendenciando o teto. As paredes combinam formar um cubo semi-perfeito, a imperfeição reside no teto mais alto que a largura que me permitem. A minha frente uma porta fechada. Um caixão em forma de quarto.

Das frestas dobradiças vejo as sombras. Penso "estaria eu nAquela caverna?", sorrio nervoso.
Do lado de fora me gritam "A porta não está trancada". Ao concluírem a frase apagam-se todas as frestas.
Na total escuridão tateio, não a saída, o interruptor para a luz do quarto. De nada adianta,  a lâmpada está queimada - ou eu me convenço que está queimada por não conseguir encontrar o maldito interruptor.
De toda forma estou só, no escuro. Mas o escuro potencializa o quarto, o espaço que antes era de pouco mais de 1 metro quadrado... agora é infinito. O teto pendula um vulto, as paredes existem exclusivamente no toque, o chão é o limiar entre a solitude e a lembrança.
No processo de me acostumar com a escuridão me esqueço da porta. "ME TIREM DAQUI!!!" "Porfavoreunãoqueromais" esmoreço em murmúrios.

Uma voz; A direção eu já não identifico mais, poderia vir do que antes eu chamava porta, mas agora já me parecia vir do além... talvez do teto.
"Você tem a chave!"
Aquilo me enlouquece, minha imaginação se derrete em um inferno de possibilidades. Para que eu precisaria de uma chave? Nunca me cogitou ter uma chave, muito menos precisar usá-la. Para destrancar o que? Mas, existia a possibilidade de saída a qualquer momento, né? Havia uma saída? Eu lembro de alguém me dizer que a porta estava aberta, ou será que foi me dito que ela estava encostada? Porque há uma lampada queimada? Quem?? Onde?? E o porquê???

Enquanto ato o nó de loucura, o ponho em minha garganta, amarro-o na maçaneta - tão fácil de encontrar, tão a altura dos olhos. Me ergo pelas paredes.
Escuto os passos. Espero pela salvação.
A passada para, a uma porta/parede/painel de distância. Espero pela rendição.
Escuto os passo a se distanciar novamente. 
Perco as forças nas pernas, caio.... Meu sufoco na maçaneta que antes nem existia. A paranoia amarrada à saída.
Me debatendo acendo a luz. Ela não estava queimada?
A lâmpada em minha garganta, queimando, minha cabeça quente, o grito engasgado.
O desespero me faz pisar na moribunda maçaneta:
E com clareza eu vejo que a porta realmente est


Posse (6/40)

Fui príncipe, logo depois de ser usurpado
Não fui coroado, mas amaldiçoado
Ele se proclamou rei, porém não o conheço.

Prevejo as mãos explorando o espólio
Não ajo ante seus desejos:
escondo os ombros, sorrio vazio, acenos.
O ódio me sufoca
e um tal formigamento na perna direita que se estende às nádegas - Pânicos
As mesmas bandas
nas quais ele hasteia sua bandeira
como quem diz "meu reino"

Espero a cerimônia acabar,
Conheço-a de outros tempos,
mesmo que inigualavelmente nova.

Espero aquele segundo - que não passa - terminar
para poder projetá-lo nas próximas horas de minha vida.
Um reino sequestrado,
um reino de segundo (a)
e ainda assim eternizado na terra de um feudo.

Me quedo em lágrimas: Instaura-se a anarquia

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Epílogo que ainda vêm (5/40)

Fica registrado aqui, nesse epílogo assincrônico, que toda e qualquer metáfora, aliteração, comparação, sinédoque ou figura de linguagem que venha a ser encontrada ou que já tenha sido lida será incompleta, insuficiente, imprópria, ingênua, ininteligível, ignóbil, incompassiva, inferior e principalmente incapaz.

Todas imagens, menores.
Todas rimas, fracas.
Todos textos, partidos.

Fica rematado, então, a reflexividade dos textos, e ainda mais, a introjeção do autor.

72 (4/40)

Me seguro nas riquezas
naquelas que o mar não levou.
O buzio marcando a palma de minha mão
(o símbolo da luta dos afogados)

Os corais são ossos e partiram-se
Os ossos são sacros, sólidos e espesso

A onda quebra em uma só pancada
A onda quebra em outra só pancada
A onda quebra em apartas, topadas, prostradas.
Mas não só.

Em tule de espumas
Filós de preocupações
Em um balé do mares de cisnes
Ela me joga na areia.



( http://numeroscomplexos.tumblr.com/post/164830296151/27 )

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Falo 3/40

Estagnado
Faltava-me voz,
Não havia palavra,
Comunicavam-se ecos,

E ainda assim,
Ele (só) me pediu um nome.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Varal 2/40

Recolho as roupas do varal -  minhas meias
De par em par recolho-as, criam-se buracos no varal
O tremor do ferro a cada puxada, os vazios.
Um medo enorme de perder cada par na vasta pilha
Não há mais meias.

Recolho as roupas - cuecas
Só as cuecas restam, espalham-se no varal
O barulho do metal batendo na parede a cada puxada, os vazios
Uma angústia enorme quando acabam as cuecas em minha pilha
E ainda há uma no varal

Green 1/40

The pod opens
the beans are green
They close the pod
the beans are green

The green beans

it all has been.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Ring

A cama era o ring e as alianças eram mutáveis.
Uma exposição exagerada, pele, fiascos, vislumbres. Pura nudez.
Do outro lado havia cobertura, uma espessa camada de argumentos, um longo sobretudo em cada frase, um sentir (ou fazer sentir) culpa. Complexa vestimenta.
Por vezes apaziguava-se às cobertas.
Abafávamos uns aos outro com os travesseiros.
"Troca de lençóis" dizia o anúncio
Mas sobre tudo: a noite.


j Oº nes

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

00:00

Subiu ao segundo nível da beliche
Aí então tirou a blusa do Iron Maiden.
Jogou-a junto aos livros de Camus
Regou seu vaso de muda morta,
se pendurando na sacada da cama
Usou a água velha do copo de requeijão.
Leu as mensagens do grupo silenciado:
Eram discussões de gênero.
Contribuiu com a discussão com:
"Rapaz, essas coisas de sexualidade são mais fluídas que nós pensamos"
Olhou para o teto com preguiça de dormir
Amedrontou-se com o dia que se espreitava.
Listou tarefas para o dia seguinte:
Arrumar os discos de MPB;
Convidar aquela menina pro evento no facebook;
Estudar a matéria de história antiga acumulada;
...
Abriu o celular de novo,
Deu scroll nas redes sociais
Começou a olhar a cor de sua pele modificada pela luz da tela.
Se angustiou
Disse para si "preciso ir dormir"
Amarrou o cabelo de modo desleixado.
Se cobriu mesmo estando calor
Sede.
Buscou um copo de água no copo de requeijão
Escovou os dentes já que passou na frente do banheiro.
Ficou alguns segundos a mais olhando seu reflexo
Tomou só um golinho.
Deixou todo o resto no parapeito da janela, ao lado do vaso
Programou o despertador para mais cedo do que precisava
Reabriu a tela para colocar um alarme a mais por segurança
Fez as contas de quantas horas ainda dormiria
Lembrou da foto de céu que tirou ao entardecer
Postou com legenda de física e poesia.
Achou uma tampa de caneta nos emaranhados de lençóis
Se arrependeu de ter dado as suas notas pra trocadora
Tinha muitas moedas pra se livrar
Preocupou-se com a conta de internet que vence dia 15
Cogitou fumar
Cantarolou Criolo
Mudou de lado abraçando o travesseiro
Fechou os olhos
Xixi
Correu para não pisar totalmente no chão gelado
Gastou mais tempo no banheiro do que precisava
Prestou atenção no padrão de azulejos na parede
Felizmente, bocejou.
Arrumou os xerox que despencavam
Subiu lentamente a escadinha de madeira
Se arrumou
Se preparou
Pronto.
Podia dormir,

Faz-se a luz: o beliche de baixo chegou.

Jo
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--
nes

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

On



Go on,
Say it.

I'm going on.
Ain't you see me

Getoff

C'MON

Rip uself off.

Say it now
Hurry up
If I shut down
... it's bcuz ...

Try harder
Don shut

I've only 20% left

Ain't enough

J on* es

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Padrão


No micro verso do chão - um vão em vão
Uma purpurina púrpura e a rasura mais pura.
Tento tocar mas a unha se nega a alça-la:
o brilho e o erro sem engano.

Espero o torpor da luz na lantejoula vala.
Varrer-se-ão

l/ ./ ucas