- Eu consegui para de chorar, estou melhor.
- Tem certeza?!
- Sim, pode ir. Aproveita.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Muro P&B com detalhes em vermelho (26/40)
Recorto anúncios de vagas de empregos para as quais eu não me qualifico.
Na parede do meu quarto: um painel de vagas a serem ocupadas por qualquer um - menos eu.
Recorro à grande muralha de impossibilidade, lamentando por minha insignificância ao sentir a impactante irrisória inadequação da imobilidade.
Inapto a empregos que não anseio, ilhado em oportunidades que não me são ofertadas, invalidado em escolhas estagnadas.
Recordo, por vezes, os grandes "X" vermelhos naquelas utópicas palavras meticulosamente contadas e impressas.
Rearranjo o jornal bagunçado - em lacunares cadernos desfalcados - digo a mim mesmo:
"Estou só dando uma olhadinha nos classificados."
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Formas nominais (25/40)
O monstro que há no peito quer que você volte para mim.
A aberração que habita meu estômago quer que eu vomite palavras de amor.
O fungo que cobre meu pulmão me arranca o ar toda vez que penso em você.
A memória esquecida pelos seus fantasmas assombra meu inconsciente.
O menino pirracento que esperneia minhas entranhas só quer atenção.
A mendiga que se esconde atrás dos meus nervos só quer te fazer sentir culpado.
O grito contido no meu olhar saboreia toda ajuda que você quer me dar.
A menina encolhida no meu ouvido tenta sussurrar por cima do que você me diz.
O gozo retido no meu pau ergue-se contra mim, ele quer te sabotar.
A noite que me consome pedaço a pedaço - também quer chegar até seu sol.
Tudo aquilo que me forma, aquilo que eu não sei nomear, aquilo que não existe até eu dar nome:
Todas elas querem você.
A aberração que habita meu estômago quer que eu vomite palavras de amor.
O fungo que cobre meu pulmão me arranca o ar toda vez que penso em você.
A memória esquecida pelos seus fantasmas assombra meu inconsciente.
O menino pirracento que esperneia minhas entranhas só quer atenção.
A mendiga que se esconde atrás dos meus nervos só quer te fazer sentir culpado.
O grito contido no meu olhar saboreia toda ajuda que você quer me dar.
A menina encolhida no meu ouvido tenta sussurrar por cima do que você me diz.
O gozo retido no meu pau ergue-se contra mim, ele quer te sabotar.
A noite que me consome pedaço a pedaço - também quer chegar até seu sol.
Tudo aquilo que me forma, aquilo que eu não sei nomear, aquilo que não existe até eu dar nome:
Todas elas querem você.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Almanaques (23/40)
Minha vó sugeria "vamos fazer uma colagem!"
Procurávamos por temas e assuntos. Por vezes eram animais com olhares que poderiam te tornar vegetariano, em outros momentos eram sonhos concretizados em objetos, consumos, paisagens e fugas. O processo se dividia em uma caça aos tesouros perdidos desavisadamente pelas páginas de revistas velhas; o recorte preciso em contornos ou formas geométricas imprecisas, porém combinadas; e, finalmente, a montagem de quadros que viviam a potencialidade da emolduração que nunca viria.
Toda imagem encontrada era uma festa, uma divisão e um espanto. A surpresa da fotografia tão preciosa e a decepção do tamanho incoerente com o espaço remanescente. O gritar de "achei!" e o virar da folha para ver se não havia um "ACHEI!" mais gostoso em contraposição.
Uma tarde, um trabalho e uma abstração.
Hoje minha vó já não me sugere mais colagens.
Ainda procuro por temáticas e ideias, mas elas já não me encantam ou me mudam essencialmente. De certo modo, às vezes, me despertam dos sonhos que já tive: Me acidento em tesouros perdidos, por tantos marcados com Xs nos mapas desbotados nas minhas paredes; releio os grandes espaços vazios deixados nas páginas de HQs e periódicos: preenchendo-os com abstrações do que poderia ou não fazer sentido naquele contexto; remonto quadros que só existem em frases como "Vamos fazer uma colagem!".
Todo texto escrito é uma memória, uma versão e uma aversão. A surpresa da releitura tão rara e a decepção da escrita incoerente com meu espaço recorrente. O grito achado no virar das páginas para que, logo, possa ser superado por um grito mais maduro em justaposição.
Uma noite, um retrabalho e uma materialização.
Procurávamos por temas e assuntos. Por vezes eram animais com olhares que poderiam te tornar vegetariano, em outros momentos eram sonhos concretizados em objetos, consumos, paisagens e fugas. O processo se dividia em uma caça aos tesouros perdidos desavisadamente pelas páginas de revistas velhas; o recorte preciso em contornos ou formas geométricas imprecisas, porém combinadas; e, finalmente, a montagem de quadros que viviam a potencialidade da emolduração que nunca viria.
Toda imagem encontrada era uma festa, uma divisão e um espanto. A surpresa da fotografia tão preciosa e a decepção do tamanho incoerente com o espaço remanescente. O gritar de "achei!" e o virar da folha para ver se não havia um "ACHEI!" mais gostoso em contraposição.
Uma tarde, um trabalho e uma abstração.
Hoje minha vó já não me sugere mais colagens.
Ainda procuro por temáticas e ideias, mas elas já não me encantam ou me mudam essencialmente. De certo modo, às vezes, me despertam dos sonhos que já tive: Me acidento em tesouros perdidos, por tantos marcados com Xs nos mapas desbotados nas minhas paredes; releio os grandes espaços vazios deixados nas páginas de HQs e periódicos: preenchendo-os com abstrações do que poderia ou não fazer sentido naquele contexto; remonto quadros que só existem em frases como "Vamos fazer uma colagem!".
Todo texto escrito é uma memória, uma versão e uma aversão. A surpresa da releitura tão rara e a decepção da escrita incoerente com meu espaço recorrente. O grito achado no virar das páginas para que, logo, possa ser superado por um grito mais maduro em justaposição.
Uma noite, um retrabalho e uma materialização.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
The cob behind my ears (22/40)
The Itching-bitsy spider
Climbed up the frontier wall
Down came the day
And downed the spider away
Out came the sun
And raised up all the corn
And the fucking-betsy spider
Climbed up the leaven sorn.
Climbed up the frontier wall
Down came the day
And downed the spider away
Out came the sun
And raised up all the corn
And the fucking-betsy spider
Climbed up the leaven sorn.
You ain't food. (20/40)
A hug is all I need to starve.
Sniffling a memory that brings my veins to swell.
The sensation of ceasing to fast,
It punches me even after you've gone.
I'm tempted to ask "Could I grab some?"
Would you think, respond or only look deep in my hushed heartbeat, smile and leave?
Latter, would you say "Anytime", "Again?" or "Ain't happen anymore"?
Would I just feel satiated?
A hug is all I need
My memory brings every little taste back
But you sent me pics.
Then, why would I overlook an illustrated menu knowing that the meal would never come?
Hey, next time, could you take my order while hungering me?
May I have a say, please?
Must I beg?
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
dradinho apenas é (19/40)
O primeiro quadradinho é meu,
O segundo eu já não sei.
Ao lado um monte de gente,
Excluo e desvio, e ai, não mais que de repente...
Te vejo.
Mudo todo o esquema.
O primeiro quadradinho pode ser nosso nosso,
O segundo poderia também.
Ao lado bem menos gente,
Excluo e (te) subo, e ai, não mais que de repente...
Te vejo verde.
Mudo todo o esquema,
O primeiro quadradinho envergonhado é meu,
O segundo é minha vermelhidão,
Ao lado quase ninguém,
Te subo... excluo... e ai... vagarosamente...
Não te esqueço.
Te berro todo o esquema.
O primeiro quadradinho pode ser seu,
O segundo você guarda para mim,
Ao lado não há ninguém,
Te chamo e clamo, e aí, sem mais porquê...
O primeiro qua
O segundo eu já não sei.
Ao lado um monte de gente,
Excluo e desvio, e ai, não mais que de repente...
Te vejo.
Mudo todo o esquema.
O primeiro quadradinho pode ser nosso nosso,
O segundo poderia também.
Ao lado bem menos gente,
Excluo e (te) subo, e ai, não mais que de repente...
Te vejo verde.
Mudo todo o esquema,
O primeiro quadradinho envergonhado é meu,
O segundo é minha vermelhidão,
Ao lado quase ninguém,
Te subo... excluo... e ai... vagarosamente...
Não te esqueço.
Te berro todo o esquema.
O primeiro quadradinho pode ser seu,
O segundo você guarda para mim,
Ao lado não há ninguém,
Te chamo e clamo, e aí, sem mais porquê...
O primeiro qua
Assinar:
Postagens (Atom)