quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Escambo de jardim

"Por quantos encantos você me vende essa imagem?"- Perguntou a borboleta.
E balançando a cabeça mercante - marcante e rasante - o jovem louva-a-deus lhe respondeu:
"Por nenhum, de encantos me bastam as Joanas. Me escreva: 1000 palavras... talvez valham 1 imagem."
Por um minuto pensou. Refletiu e filosofou.
Chamou Platão, interrogou Esfinges, inqueriu Deus e dialogou com Arlequins.
A velha mariposa, que escrevia razoavelmente bem, entregou um rasgo de papel.
Nele não haviam palavras mil, mas apenas isto:
"Case-se comigo"
Como quem não entende, o Esperança desiludido, derrotado, despreparado entrega a imagem:
Uma descrição iconográfica da metamorfose das lagartas. 
E por fim a graciosa dançarina do vento se escureceu - Tornou-se viúva negra.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A brevidade pela urgência

Por todos aqueles sofrimentos que gostaríamos de sentir.
Por todos aqueles bens que gostaríamos de usufruir.
Por toda aquela imaginação que sabemos ter.
Por todo aquele peculiar momento que foi.
Peculiar momento que em potencia é.
Momento que compartilhado está.
Que ao modificar se acaba.
E concluindo-se embaça.
Concluindo ou indo...
E num gerúndio,
pontuado,
se mata.


Jonesíndo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Aguente os p(l)anos

"Segure as pontas!!"  Me gritaram.
Aproveitei e me dobrei em dois.
Estendi conceitos.
Passei mentiras.
Engomei verdades.
Sequei discursos.
E segurei bobagens.

§Jones/jones§

domingo, 17 de novembro de 2013

Quase ou todas

Na poltrona confortável.
Naquele ambiente artificialmente produzido para ser aconchegante.
Naquela luz mais suave, mais serena.
Quem se pronunciou fui eu:
"Esse é o fim. Nosso tempo acabou."
Me levantei, com os olhos embaçados pelas lágrimas não manifestadas.
Quase tropecei no divã arquitetado e preparado para todas as emoções: Ou quase todas.

Então, a porta do consultório se fechou.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

[in. cômodo. s. adv.]

Dizem que onde há tristeza não há papel em branco.
Quando eu desenho me entristeço.
Quando eu escrevo me desanuvio.
Quando me sonorizo me pego em Chico.

Repenso, será que quando há tristeza existe caminho?
Não sei.

Vou versificando os incômodos -
Vou sambando pelos cômodos -
Vou rabiscando in cômodo(s) -

Enquanto isso a angustia, virótica a tudo, se assume em outras formas. Das quais eu invento e reinvento poéticas, imunológicas*, para me defender... Ou será que é para me deter?

*As vacinas são feitas de vírus mortos ou enfraquecidos.

Vacinas não me servem.

Jones-,-,-,s

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ela usava óculos de hipster: O apoio de nariz verde e a armação transparente.

- Foi um prazer te conhecer!
Quando concluiu a exclamação, apertou minha mão... sorriu e disse:
- Acredito que nunca mais vou te ver. Tenha um bom curso.

E foi assim que conheci e me despedi do amor de minha vida.

J<ones   <

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Masturbação poética

1º Não meu - poema.

Quero que alguém me explique
o excesso da poesia
o absurdo da significação
meu peito esvazia, a cabeça eu deito

Embora não mais... quieto... detesto!



Voltando, o absurdo
exacerbado
  o significado, a ação
não ampara
  sossego a mão

No lugar do sim...
  o não
  o vácuo
A contraditória desolação



Quase Alberto Caeiro!